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Observatório do Vale do Rio Real

Primeira pesquisa do Observatório

A Pesquisa

Cinco meses acompanhando de perto dois equipamentos culturais de Tobias Barreto, quatro lugares visitados em campo e oito entrevistas com quem mantém esses espaços e com quem responde pela política cultural nos municípios.

A pergunta de partida

Como se sustenta um equipamento turístico e cultural que funciona sem financiamento público ou privado, e o que ele movimenta ao redor de si?

Período de coleta
21/07/2025 a 21/12/2025
Objeto
Equipamentos turísticos e culturais em funcionamento, e a economia solidária ao redor deles
Lugares em campo
Recanto da Serra · Museu Borda da Mata · Serra dos Macacos · Ilha Grande
Fonte
Levantamento próprio do Observatório
Entrevistas gravadas
8
Instrumentos de coleta
2
Registros de funcionamento
40
Contratações registradas
84
Indicadores
8

A janela vai de 21/07/2025 a 21/12/2025: 5 meses completos, distribuídos por seis meses do calendário. É por isso que a série mensal tem seis linhas.

O que a pesquisa foi buscar

Para respondê-la, o Observatório acompanhou dois equipamentos culturais de Tobias Barreto e mediu a economia solidária que se forma em torno deles — quanto entra, quanto sai, onde a despesa é executada e quem é contratado.

Em paralelo, construiu parâmetros de comparação entre políticas públicas municipais de cultura, ouvindo gestores de três municípios em contextos sociopolíticos diferentes. Um levantamento de informações turísticas e culturais na base de dados do Estado de Sergipe complementou o material reunido em campo.

O recorte territorial em que tudo isso acontece — cinco municípios do Vale, mais São Cristóvão como comparação — está desenhado no mapa interativo do Território.

Como se observa um equipamento cultural por dentro

A figura do ator-chave

O ator-chave é a peça central do método. A pesquisa entendeu, desde o desenho, que compreender o funcionamento desses lugares exigiria alguém em contato simultâneo com o Observatório e com o equipamento — alguém que fornecesse as informações que sustentam a organização dos dados, a leitura do sistema organizacional do espaço e a análise da economia solidária ao redor dele.

Foram dois atores-chave, um em cada equipamento acompanhado. O do Recanto da Serra, agente cultural com atuação na cidade, fez também as pontes que levaram a pesquisa à comunidade da Serra dos Macacos e ao outro equipamento.

A escolha tem uma consequência metodológica que a pesquisa assume: o registro diário é declarado por quem mantém o lugar. Foi para não depender só dele que os agentes de campo mantiveram visitação rotineira — para enxergar, com os próprios olhos, transformações que o formulário não capta.

Papéis na pesquisa

Coordenação de pesquisa
Desenhou o recorte, conduziu as entrevistas com gestores públicos e respondeu pelos encaminhamentos metodológicos.
Agentes de campo
Frequentaram os equipamentos em rotina de visitação, acompanharam o preenchimento dos formulários e registraram o que os formulários não alcançam.
Análise de dados
Organizou as respostas e os registros, manteve o fluxo da coleta em dia e transformou o registro diário em série e em indicador.
Ator-chave
Em cada equipamento, a pessoa responsável pelo espaço, em contato permanente com o Observatório. É quem preenche o registro diário e quem abre as portas do território à pesquisa.

Os instrumentos de coleta

A coleta se apoia em dois formulários. Um é preenchido por quem mantém o lugar aberto; o outro, por quem o visita. Os campos abaixo são os que cada um pede — nem mais, nem menos.

  • Formulário de rotina de funcionamento

    Quem preenche
    O ator-chave do equipamento
    Quando
    A cada entrada ou saída de recurso, houvesse visita ou não

    O que o formulário registra

    • compras e insumos, com onde e com quem foram comprados
    • contratações do dia, com data e valor
    • serviços de manutenção do espaço
    • receita de taxa de funcionamento e de consumo no local

    O que este registro produziu

    Registros de funcionamento coletados
    40
    Contratações de trabalho registradas
    84
  • Formulário do público consumidor

    Quem preenche
    O próprio visitante
    Quando
    Durante a visita, a partir de QR Code disponível no equipamento

    O que o formulário registra

    • faixa etária
    • cidade de origem
    • motivo da visita
    • opinião sobre o espaço

    Este formulário ajuda a compreender o perfil das visitas: a faixa etária de quem chegou, de onde veio, o que foi buscar no espaço e como avaliou a experiência.

O percurso, na ordem em que aconteceu

A pesquisa saiu de dois equipamentos culturais e atravessou quatro etapas. Cada uma registra os lugares que alcançou e a natureza do que ficou dela.

Chave de evidências

Registro diário
O formulário de rotina, preenchido pelo ator-chave a cada entrada ou saída de recurso — houvesse visita ou não.
Formulário do visitante
Respondido por quem visita, a partir de QR Code disponível no próprio equipamento.
Entrevista gravada
Conversa registrada com quem mantém os lugares visitados e com quem responde pela política cultural nos municípios.
Trabalho de campo
A presença da equipe no lugar: visitação rotineira, reconhecimento do território e a oficina de devolução.
  1. Dentro dos dois equipamentos, mês a mês

    O acompanhamento do Recanto da Serra e do Museu Borda da Mata foi contínuo, em rotina mensal de visitação, enquanto os formulários eram preenchidos dia a dia. O Recanto registrava em ritmo semanal e, em alguns períodos, quase diário — foi essa regularidade que mostrou, cedo, que a coleta seguia no caminho certo.

    No mesmo intervalo, a equipe fez o reconhecimento da Serra dos Macacos — comunidade agrícola entre serras, alcançada por estrada de terra e por uma ponte de madeira sobre o Riacho do Caripau.

    Interior da Bodega dos Tropeiros, com objetos e painel expositivo.
    Acervo exposto em um dos equipamentos acompanhadosRecanto da Serra

    Onde

    • Recanto da Serra
    • Museu Borda da Mata
    • Serra dos Macacos

    O que ficou

    • Registro diário
    • Formulário do visitante
    • Trabalho de campo
  2. A comparação de políticas públicas

    A segunda etapa levou a pesquisa a São Cristóvão, onde foram entrevistadas a fundação municipal de cultura e a diretoria de turismo. De lá, a equipe seguiu de barco para Ilha Grande, povoação do município com cultura pesqueira própria e a tradição do samba de coco preservada ali.

    Ilha Grande entrou no percurso porque a própria página oficial da prefeitura a apresentava como território ecoturístico aberto à visitação — e era essa política anunciada que a pesquisa foi conferir.

    Onde

    • São Cristóvão
    • Ilha Grande

    O que ficou

    • Entrevista gravada
    • Trabalho de campo
  3. De Itabaianinha para Tomar do Geru

    O terceiro ponto de comparação seria Itabaianinha, onde a pesquisa encontrou uma rota turística desativada, a Rota de Pedra Branca. As tentativas de contato com o governo municipal não tiveram sucesso, e o município permaneceu no recorte sem evidência de pesquisa de campo.

    O destino passou a ser Tomar do Geru: igreja histórica tombada, economia baseada na mineração de pedra e uma formação sociocultural ligada aos Kiriris. A mudança deu à pesquisa um eixo que ela não tinha — a conexão entre preservação da natureza e cultura dos povos originários.

    Itabaianinha permaneceu no recorte sem evidência de pesquisa de campo.

    Onde

    • Itabaianinha
    • Tomar do Geru

    O que ficou

    • Entrevista gravada
  4. A devolução na Serra dos Macacos

    O estudo se encerrou onde tinha começado a se abrir: numa oficina de montagem de equipamento cultural com a própria comunidade da Serra dos Macacos, feita para exercitar a autonomia local diante das oportunidades que o território oferece.

    Em Tobias Barreto, a pesquisa também entrevistou a secretaria municipal de cultura e a prefeitura, fechando o comparativo entre os três municípios.

    Onde

    • Serra dos Macacos
    • Tobias Barreto

    O que ficou

    • Trabalho de campo
    • Entrevista gravada

Da coleta à leitura

O que as quatro etapas reuniram — registro diário, formulário do visitante, entrevista e trabalho de campo — passou a ser lido em conjunto. É a última parte do percurso, e a que produziu o que está publicado.

Quem a pesquisa ouviu

As 8 entrevistas gravadas estão públicas no acervo, com áudio e transcrição. Elas podem ser ouvidas e lidas por inteiro, sem cadastro e sem pedido de acesso.

As entrevistas foram gravadas com quem mantém os lugares visitados e com quem responde pela política cultural nos municípios. Elas não ilustram o que os formulários já diziam: em praticamente todas apareceu um tema que nenhum formulário media — visibilidade. Um equipamento cultural só é visitado se, antes disso, se souber que ele existe.

As entrevistas podem ser consultadas pelo lugar ou pela instituição relacionada. No acervo, cada documento reúne áudio, transcrição e data de publicação.

Entrevista de campo dentro do Centro Cultural e Museu Borda da Mata.
Entrevista de campo no equipamento acompanhadoBorda da Mata

3 entrevistas

Nos lugares visitados

Com quem mantém o espaço aberto e com quem vive o território em que ele está.

  1. 02Centro Cultural e Museu Borda da MataTobias Barreto
  2. 05Recanto da SerraTobias Barreto
  3. 08Ilha GrandeSão Cristóvão

5 entrevistas

Na gestão pública municipal

Com quem responde pela política cultural e de turismo em cada um dos municípios comparados.

  1. 01Secretaria de CulturaTobias Barreto
  2. 03Fundação de CulturaSão Cristóvão
  3. 04Diretoria de TurismoSão Cristóvão
  4. 06PrefeituraTobias Barreto
  5. 07Secretaria Municipal de CulturaTomar do Geru

Dados e escuta fazem parte da mesma pesquisa

O que se cruzou na leitura

  • Registro diário
  • Formulário do visitante
  • Entrevista gravada
  • Trabalho de campo

A leitura quantitativa não aparece isolada do campo. Os registros, formulários e indicadores foram analisados junto às entrevistas, às visitas e à observação dos lugares pesquisados. Essa combinação permite compreender não apenas números, mas também trajetórias, práticas culturais e relações construídas no território.

Os formulários mostraram que o dinheiro circulava pelos equipamentos e não parava neles: cada visita puxava compra de alimento produzido na região, contratação de morador, aquisição de artesanato e pagamento de serviço local. As entrevistas explicaram por que isso acontece, e a observação direta mostrou o que nenhum dos dois alcança — a mudança da paisagem e da oferta a cada retorno da equipe.

A leitura quantitativa publicada — o que o recurso movimentou, onde a despesa foi executada e o que os números deliberadamente não dizem — está em Dados.

Limites declarados

Nenhum deles foi descoberto depois. Todos estavam à vista durante a pesquisa, e é assim que entram no resultado.

  1. A janela cai na baixa temporada

    O período coletado corresponde a um momento de baixa visitação nos dois equipamentos. No Borda da Mata isso pesa mais: foram onze visitantes registrados nos cinco meses. A leitura econômica do período precisa ser lida com essa janela à vista.

  2. O registro é declarado por quem mantém o lugar

    O formulário de rotina é preenchido pelo ator-chave. A visitação rotineira dos agentes de campo existe para contrapor esse registro à observação direta, mas a pesquisa não audita caixa: ela lê o que foi declarado.

  3. Os dados falam antes das expectativas

    A pesquisa assumiu como compromisso não confirmar o que gostaria de encontrar. Havia o receio de que a baixa temporada fizesse o Recanto parecer financeiramente inviável — e a decisão foi publicar o que o período mostrasse, não o que a hipótese pedia.

  4. Desenvolvimento turístico não é conclusão automática

    A hipótese inicial de replicar um equipamento turístico e cultural na Serra dos Macacos foi revista durante o percurso. Onde há potencial turístico costuma haver também risco de predação do território e de sobreposição do interesse econômico à preservação da cultura camponesa, do patrimônio e da natureza. O dilema acompanhou a pesquisa até o fim e não foi resolvido por ela.

O que a pesquisa reuniu, lugar a lugar

O que a pesquisa reuniu não fica guardado. Relatórios técnicos, fotografias de campo, formulários e entrevistas compõem um acervo com endereço permanente, e cada peça aparece aqui com o estado real que tem hoje — pública, restrita ou em revisão.

Ver o Acervo