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Observatório do Vale do Rio Real

Episódio 02 · 1ª Temporada

#02 Episódio - Conheça o Recanto da Serra

·

Episódio dedicado ao Ecoparque e Museu Recanto da Serra, no povoado Jacaré, em Tobias Barreto. Pedro Menezes, cordelista e responsável pelo espaço, conta a história da propriedade desde a casa de taipa dos anos 1930 até a abertura ao público em 2008. O episódio também apresenta o método de pesquisa do Observatório e a figura do ator-chave.

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Transcrição

Em 00:00

Indicação sonora: vinheta de abertura do PodObservar

LAURA AGUIARAPRESENTADORA

Oi, oi, gente! Eu sou Laura Aguiar e esse é o PodObservar, o podcast do Observatório de Cultura e Economia Criativa do Vale do Rio Real, uma iniciativa do Coletivo Cultural Tobias, Sou Eu.

No nosso segundo episódio, iremos iniciar a apresentação dos equipamentos culturais que foram objeto da nossa pesquisa, começando pelo Ecoparque e Museu Recanto da Serra, que fica localizado nas imediações do povoado Jacaré, em Tobias Barreto, Sergipe.

Vamos contar para vocês um pouquinho da história do Recanto, contextualizando a imensidão de propostas culturais que compreende o equipamento, e abriremos o leque da nossa pesquisa apresentando os nossos métodos e alguns dos nossos resultados. Então, vem com a gente!

Indicação sonora: vinheta de transição

Em 01:45

LAURA AGUIAR

Bom dia, boa tarde e boa noite. Esse é o segundo episódio da primeira temporada do PodObservar, o podcast do Observatório de Cultura e Economia Criativa da Região do Vale do Rio Real, uma criação do Coletivo Cultural Tobias, Sou Eu. Eu me chamo Laura Aguiar, sou coordenadora de comunicação do Observatório e a apresentadora de vocês.

Indicação sonora: efeito sonoro metálico

Hoje a gente vai viajar até o Recanto da Serra, o cantinho onde se iniciou toda a nossa pesquisa.

Em 02:10

PEDRO MENEZESCORDELISTA E RESPONSÁVEL PELO RECANTO DA SERRA

A casa de taipa foi construída na década de 1930. O processo de reflorestamento da propriedade e de elaboração do espaço começou no ano 2000, se intensificou a partir de 2005, e o Recanto foi aberto ao público no ano de 2008. Com esse processo de construção coletiva, o espaço foi ganhando a igreja de pedra, cozinha, restaurante, chalés e outros equipamentos. Também fomos finalizando projetos como a biblioteca de livros e garrafas, o museu e o busto de Epifânio Dória, além de outros espaços construídos ao longo dessa história.

Em 03:20

LAURA AGUIAR

Nós visitamos o Recanto durante seis meses. Tínhamos Pedro Menezes como o nosso ator-chave e, enquanto coletávamos dados e informações sobre a economia solidária, observávamos atentamente o funcionamento do local. Mais do que isso, observávamos o constante aprimoramento do equipamento, percebido pelas mudanças nas paisagens e pelas novas ofertas culturais e turísticas disponíveis no Recanto.

PEDRO MENEZES

O Recanto foi sendo construído aos poucos. Cada espaço tem uma história e uma proposta. Temos os museus, os espaços voltados à cultura, à religiosidade, à história, ao meio ambiente e também ao lazer. A proposta é fazer com que a pessoa venha e possa conhecer um pouco de tudo isso.

Em 04:50

Indicação sonora: vinheta de transição

FABRÍCIO GREGÓRIOAGENTE DE CAMPO

Pedro Menezes. Esse é o nome de um dos nossos atores-chave. “Ator-chave” é uma nomenclatura importantíssima para a execução da nossa metodologia de trabalho. A gente entendeu que, para compreender o funcionamento desses locais, precisaríamos de um ator-chave que estivesse em contato tanto com o Observatório quanto com os equipamentos culturais. Essa pessoa forneceria informações fundamentais para que nós, agentes de campo e analista de dados, realizássemos a decupagem dos dados, a análise do sistema organizacional do equipamento cultural e do amplo funcionamento da economia solidária. Pedro Menezes foi ainda além. Por ser um agente cultural com atuação em Tobias Barreto, realizou as pontes de conexão com a comunidade da Serra dos Macacos e também com o outro ator-chave da pesquisa, ligado ao Centro Cultural e Museu Borda da Mata, dirigido pelo casal Oviêdo e Neide Abreu.

Em 06:20

LUIZANALISTA DE DADOS

Para a nossa análise de dados dar certo, a gente precisava de um fluxo constante de preenchimento de formulários. Mas, mais do que isso, precisávamos que os agentes de campo frequentassem rotineiramente o equipamento para enxergar, com os próprios olhos, transformações que os formulários não conseguiam captar. Com isso, conseguíamos colher ainda mais informações, sempre intermediadas pelo nosso ator-chave local.

Em 07:05

GALILEU SANTANACOORDENADOR DE PESQUISA

Nós conseguimos criar uma rotina de visitação mensal aos equipamentos e era surpreendente como o Recanto mudava a cada mês. De certa forma, parecia sempre se preencher de vida. É um equipamento cultural utilizado e frequentado. Não por multidões, mas por diversas pessoas, de diferentes idades, localizações e objetivos. No fim, todas acabavam envolvidas pela proposta ecoturística de integração entre lazer e natureza, criando um ambiente dinâmico e integrado, alcançando diferentes interesses particulares, todos rodeados de cultura.

Em 08:20

LAURA AGUIAR

Eram dois formulários preenchidos digitalmente. Um deles era direcionado ao ator-chave do equipamento cultural e coletava informações sobre o funcionamento do local. O ator-chave deveria preenchê-lo sempre que houvesse alguma entrada ou saída de recursos relacionada ao Recanto. Se o Recanto fosse visitado por um grupo de cinco pessoas, por exemplo, Pedro deveria relatar os custos com contratação de equipe, compra de alimentos e limpeza. Também deveria informar onde comprou, com quem comprou e quem foi contratado. Tudo isso para que conseguíssemos rastrear a rede solidária da economia do equipamento.

Em 09:45

LAURA AGUIAR

Da mesma forma, mesmo quando não houvesse visitantes, se fosse necessária a contratação de uma equipe para manutenção ou, por exemplo, de um carro-pipa para abastecer a piscina, isso também deveria ser relatado, com datas, nomes e valores. E todo recurso que entrasse, tanto pelas taxas de funcionamento quanto pelo consumo realizado no local, também era registrado.

FABRÍCIO GREGÓRIO

O outro formulário dizia respeito aos consumidores. Nós preparamos alguns QR Codes que ficavam à disposição no equipamento e eram apresentados aos visitantes. Se, por um lado, sabíamos o quantitativo de pessoas que visitava e subsidiava o local, com esse formulário conseguimos conhecer um pouco mais das características qualitativas dessas pessoas. Idade, cidade de origem, motivo da visita e opinião sobre o espaço eram algumas das informações que fortaleciam o nosso relatório de funcionamento e auxiliavam no mapeamento regional dos visitantes.

Em 11:20

GALILEU SANTANA

Havia também um receio quanto à época do ano em que estávamos fazendo a coleta. Cinco meses é um período curto e, dependendo do local turístico, aquilo pode representar justamente um momento de baixa ou de alta temporada.

PEDRO MENEZES

Sempre no primeiro semestre, de janeiro até maio, há um movimento. Depois temos uma caída nos meses de maio, junho, julho e agosto, e uma melhora a partir de setembro. Mas sempre recebemos visitantes de escolas públicas e particulares, pesquisadores, igrejas e outros grupos.

Em 12:40

GALILEU SANTANA

Então, nós teríamos como referência justamente um momento de baixa. E eu temia que o balanço da economia solidária apresentasse um resultado que fizesse parecer que o Recanto era um local financeiramente inviável.

Em 13:35

PEDRO MENEZES

Hoje, o Recanto da Serra é sustentável, mas não é um espaço que busca lucro comercial. A gente procura distribuir a renda através das atividades, com as pessoas da comunidade, utilizando mão de obra local e trabalhando dentro dessa lógica da economia solidária. Temos obras de artistas locais expostas e procuramos comprar aquilo que é produzido aqui na região. O queijo, os produtos para o café da manhã, a mão de obra, o artesanato... Tudo isso circula. Existe um lucro social, um lucro cultural. Tem a comida tradicional da roça, a memória, a preservação da cultura, a mensagem ecológica. E a nossa maior propaganda ainda é o boca a boca.

Em 15:00

LUIZ

Existe um compromisso ético na pesquisa que, para nós, era inegociável. Os dados precisam falar antes das nossas expectativas. Não cabe ao pesquisador confirmar aquilo que gostaria de encontrar, omitindo ou aumentando informações para que uma hipótese seja validada. Cabe a nós compreender o que a realidade está dizendo. E foi justamente aí que o Recanto começou a me surpreender. Porque aquilo não é um projeto de alguns meses ou de poucos anos. Já são cerca de duas décadas de desenvolvimento desse equipamento cultural.

Em 15:45

PEDRO MENEZES

No Recanto da Serra, cerca de 80% da propriedade é área preservada e de reflorestamento. A gente trabalha com a preservação das mudas de espécies nativas, inclusive em estufa, e mantém parcerias com pesquisadores e escolas para o estudo da região. Eu acredito que essa parceria é necessária e precisa ser estendida para outras áreas.

LUIZ

Então, a gente percebe logo de cara que esse projeto de equipamento não está ligado a uma finalidade comercial. Ainda que a viabilidade financeira seja um elemento fundamental para a sustentabilidade do equipamento no longo prazo, o caráter de preservação do patrimônio cultural, material e imaterial — e também da própria natureza enquanto patrimônio — aparece antes de outros objetivos do Recanto.

Em 17:40

LAURA AGUIAR

Nós iniciamos a coleta dos dados em 21 de julho de 2025 e a finalizamos em 21 de dezembro de 2025. Enquanto os agentes de campo acompanhavam de perto, junto ao ator-chave, o preenchimento dos formulários e o andamento dos equipamentos culturais, o analista de dados organizava as informações e permitia a continuidade do fluxo da coleta. O Recanto da Serra se destacava com preenchimentos semanais e, em alguns períodos, quase diários. Essa robustez do equipamento cultural mostrava que nossa pesquisa seguia no caminho certo.

Em 19:05

GALILEU SANTANA

Veja, é um equipamento cultural “no meio do nada”, claro. Existe uma estrada de terra que conecta a rodovia entre Tobias Barreto e Poço Verde ao Recanto. Ao longo da rodovia existem diversas sinalizações, colocadas pelo próprio Recanto da Serra, indicando a proximidade do local. Mas era uma época de baixa temporada e, ainda assim, o equipamento parecia estar borbulhando de visitas, excursões e atividades culturais paralelas àquelas oferecidas cotidianamente.

Em 20:30

LUIZ

Pedro sempre destacou muito o impacto dos meios de comunicação na capacidade de atrair público. Datam da primeira década dos anos 2000 algumas das primeiras reportagens que o Recanto recebeu em telejornais. Ele chegou a aparecer em reportagens sobre locais turísticos, algo que inclusive ficou registrado em material exposto no próprio Recanto. Para Pedro, primeiro as mídias tradicionais e, agora, as mídias digitais são fundamentais para a continuidade do espaço. Esse movimento acaba gerando um turismo regional e deu sobrevida ao equipamento diante do pouco interesse da população local e da falta de investimentos públicos.

Em 22:45

LUIZ

Em praticamente todas as entrevistas surgia um tema recorrente: comunicação. Pedro atribuía parte importante da sobrevivência do Recanto à capacidade que teve de permanecer visível. Primeiro, através das reportagens na televisão. Depois, através das redes sociais. Porque um equipamento cultural só pode ser visitado se, antes disso, as pessoas souberem que ele existe. Parece uma afirmação simples, mas ela ajuda a explicar por que tantos lugares extraordinários permanecem invisíveis.

LAURA AGUIAR

Então, por mais que o espaço seja sustentável e apresente uma enorme diversidade cultural, o fator visibilidade se torna uma questão marcante tanto para o turismo convencional quanto para a própria percepção desse ambiente como destino de lazer pela população local.

Em 24:25

LHUCAS SANTOSAGENTE DE CAMPO

A gente chegou no fim de uma tarde, por volta das quatro e meia. Pagamos a taxa de funcionamento do espaço, consumimos cerveja, petiscos, ouvimos música boa... E tínhamos uma piscina à disposição, em um lugar muito bonito.

FABRÍCIO GREGÓRIO

Conhecemos a Bodega do Tropeiro, a ponte de madeira sobre o lago, a linda casa de pedra e a fantástica história da Pedra Coruba.

LHUCAS SANTOS

A Pedra Coruba também foi o gancho para mim.

Indicação sonora: risos

Aí fomos para o Museu dos Tropeiros, conhecemos os chalés... quase ficamos por lá mesmo. Também visitamos a Casa de Silo, e o Museu Epifânio Dória ainda estava sendo erguido.

Em 26:00

FABRÍCIO GREGÓRIO

O que eu percebi de mais encantador é que aquele local vinha a ser quase enfeitiçado pela presença de Pedro Menezes. É claro que toda aquela beleza já está lá. Mas é o enredo narrado por Pedro — que é cordelista, então, poeta — que vai mostrando a magia do lugar.

LHUCAS SANTOS

Para tudo, Pedro tinha umas sacadas bem legais. Ele tirava uns versos da cabeça que faziam a gente cair na risada.

Indicação sonora: risos

Então, deixava as histórias muito mais divertidas e interessantes.

FABRÍCIO GREGÓRIO

E não era qualquer jeito de fazer poesia. Quando ele mostrou versos do avô de Lhucas e também de Epifânio Dória, deixava claro para a gente que era um herdeiro da cultura dessas pessoas. E, de alguma maneira, aquilo também mostrava que nós éramos.

Em 27:40

FABRÍCIO GREGÓRIO

Ele entrega essa poesia não apenas nos versos rimados, que declama como quem tira os versos do bolso e sopra ao tempo. Isso também está na sua atuação como um grande fazedor cultural e como alguém que conhece as histórias e as oralidades do local. Ele exerce a função do guia turístico, do guia local, do museólogo, do ambientalista, do nordestino e do artista. Sua figura deixa claro que o que transforma qualquer ambiente são as pessoas. É a relação humana que alimenta a interação com a natureza e nos faz perceber, através da sabedoria dos mais velhos, a imensidão das belezas que sempre estiveram por aqui.

Em 28:55

Indicação sonora: música de transição

LAURA AGUIAR

É importante que essas coisas sejam ditas, porque a história da gente é construída pela história de diversas pessoas. Vanuza, Valclecia, Silvino, Zé Farias, Kauê, José Maria, senhor Carlos, Romário Lennon, Adeliana, Joaquim, Zé Martins, João da Silva, Cícero, Maria Lima, Neide Abreu, Antônio Modesto, Paula Maria, Evanildo Rocha, José, Pedro Melo, Deivid, Raimunda, Vazinho, Zé Barriga, Márcia Santos, Gil de Zé, Artur, Rosineide, Zé Amilton, Zé Bocão e Oviêdo Abreu.

Em diferentes locais de uma mesma região, toda economia é movimentada por mãos humanas.

Compra, venda, troca e doação fazem parte das relações sociais.

Quando essas relações são regidas pela solidariedade, buscando a autossustentação das famílias, valorizando a agricultura familiar e o trabalhador local e gerando renda e retorno para a comunidade, o equipamento cultural cria raízes dentro da economia local.

Em 30:05

FABRÍCIO GREGÓRIO

A relação entre equipamento cultural e comunidade local é um tema muito debatido na área das políticas públicas culturais.

Um exemplo que podemos utilizar é o MAM, Museu de Arte Moderna da Bahia, localizado em Salvador, e sua relação com a comunidade da Gamboa de Baixo.

O museu fica às margens da Baía de Todos-os-Santos, no Solar do Unhão, um sítio histórico do século XVIII com arquitetura colonial tombada pelo IPHAN.

Ao lado está a comunidade da Gamboa de Baixo, originária de pescadores e marisqueiros.

A convivência entre comunidade, turismo e equipamento cultural traz debates antigos sobre mobilidade, território, preservação das práticas locais e inclusão da população na economia produzida pelo próprio espaço cultural.

Hoje, também se discute a participação dos moradores e de suas práticas culturais dentro desse circuito econômico.

FABRÍCIO GREGÓRIO

Essa convivência é importante para a harmonia social e para uma política pública que não exclua parcelas da sociedade do espaço público, mas priorize a cidadania e o respeito às culturas e às práticas locais.

Diante disso, o funcionamento do Recanto da Serra apresenta para a nossa pesquisa um exemplo de economia solidária e de convivência integrada com a comunidade local. Uma iniciativa da sociedade civil que, infelizmente, ainda conta com uma presença muito pequena de políticas e do poder público.

PEDRO MENEZES

O poder público pode investir mais. Pode investir em sinalização, pode investir nas estradas, na comunicação. Existem várias coisas que podem ser feitas para ajudar o espaço sem tirar dele aquilo que já existe. É preciso utilizar esses espaços para fomentar o que já existe e incluir as pessoas.

LAURA AGUIAR

Sem sombra de dúvidas, o caráter informal do funcionamento do Recanto da Serra é, na nossa avaliação, um grande entrave para a formalização de políticas públicas mais diretas. Todavia, isso não pode servir de justificativa para o poder público fechar os olhos para o que vem sendo realizado no espaço em termos de preservação da cultura, da memória e de práticas de gestão de equipamento cultural. Existem diversas formas pelas quais o poder público pode impactar positivamente as experiências das comunidades locais.

PEDRO MENEZES

Com a escola nós temos várias possibilidades. É possível estudar o meio ambiente, fazer catalogação de árvores, plantar novas espécies, aprender sobre o cuidado com o solo e sobre a forma de plantar. Temos os museus e também os espaços a céu aberto. Tem a trilha, as espécies de aves, a fauna, a flora. Tem Epifânio Dória, tem o Museu dos Tropeiros, a Sala de Silo, onde também se trabalha arquitetura e história. E temos a parte lúdica: o parque infantil, a Bodega do Tropeiro, o banho de bica, trilhas para as crianças, piscina, cactário... A biblioteca com literatura nordestina... Tudo isso pode ser trabalhado com escolas públicas, particulares, igrejas e outros grupos.

LAURA AGUIAR

Sem dúvidas, um dos grandes destaques na observação da circulação do equipamento foi a quantidade de escolas que visitam o Recanto. Elas exploram aquilo que, na pedagogia, chamamos de “estudo do meio”, quando professores e alunos vão a campo enxergar, com os próprios olhos, temas que normalmente conhecem através dos livros. Nesse sentido, o Recanto se especializou no atendimento às escolas e na disponibilização dessas experiências.

LUIZ

Quando começamos a organizar os formulários, uma coisa chamou nossa atenção muito cedo. O dinheiro realmente circulava pelo Recanto. Mas ele não parava no Recanto. Cada visita gerava uma sequência de outras movimentações: compra de alimentos produzidos na região, contratação de moradores, aquisição de artesanato e pagamento de serviços locais. Aos poucos, fomos percebendo que o funcionamento daquele equipamento produzia efeitos que iam muito além do próprio empreendimento.

LHUCAS SANTOS

Quando a gente fala de turismo, principalmente pensando em gestão, nem sempre uma rentabilidade positiva é o único reflexo de um projeto valoroso e que mereça o interesse do poder público. Se a nossa pesquisa mostrasse que o grande beneficiário desse circuito turístico fosse apenas um ente privado ou uma pessoa física, a coisa mudaria de figura. Mas não era isso que os dados estavam mostrando.

GALILEU SANTANA

A gente pode partir da educação, da cultura, do meio ambiente, do turismo ou do patrimônio. Todas essas veredas se encruzam no Recanto da Serra. O retorno social desse equipamento para Tobias Barreto, para a Região do Vale do Rio Real e para Sergipe é enorme. É uma prática que, quando catalogada, pode servir de exemplo para diversas outras experiências. E é uma experiência que precisa ser enxergada e atendida por políticas públicas ativas, interdisciplinares e integradas.

Indicação sonora: trecho final da entrevista

PEDRO MENEZES

Eu visualizo que o Recanto alcance mais pessoas no sentido humano. Que as pessoas possam perceber a cultura, perceber o seu entorno e compreender que isso precisa ser preservado para que as futuras gerações também possam conhecer. O meu legado não é apenas deixar registrado o quanto se ganha ou o quanto se gasta. É mostrar o quanto se pode fazer, o quanto já está sendo feito e o quanto as pessoas podem aproveitar isso para construir a própria história. Esse é o maior sonho.

LAURA AGUIAR

Hoje, o Recanto da Serra está na fase final de sua formalização. O caminho buscado por Pedro Menezes e pelas pessoas que constroem o Recanto foi o da criação de uma organização social sem fins lucrativos. É um passo primordial para a formalização e institucionalização das ações desenvolvidas pelo equipamento cultural durante tantos anos. O receio dessas lideranças diante da formalização costuma ser uma regra e não uma exceção. Porém, a criação de uma organização representa também a formalização legal de que aquele lugar existe em função de um interesse coletivo e poderá ser passado de geração em geração, mantendo a mesma missão. Um projeto solidário de conscientização sobre a nossa história, sobre a importância do cuidado com a natureza, sobre a valorização dos conhecimentos dos nossos antepassados e sobre essa conexão entre o lúdico, o aprendizado e o lazer.

Em 30:55

PEDRO MENEZES

Tem um pensador chamado Anísio Teixeira que diz que é preciso pensar e é preciso fazer.

ENTREVISTADOR

Maravilha, Pedro. Muito obrigado.

PEDRO MENEZES

Eu que agradeço.

Indicação sonora: efeito de transição

Indicação sonora: música-tema de encerramento

Em 31:05

LAURA AGUIAR

É isso, pessoal. Esse foi o segundo episódio do PodObservar! Espero que vocês tenham gostado e que, depois desse episódio, possam ter conhecido a importância do Ecoparque e Museu Recanto da Serra, além do impacto e do significado que ele teve para a nossa pesquisa. No próximo episódio, iremos conhecer o Centro Cultural e Museu Borda da Mata, equipamento cultural localizado no povoado Borda da Mata, em Tobias Barreto, Sergipe, e liderado pelo casal Oviêdo e Neide Abreu. Vocês vão poder conhecer um pouquinho da história deles, conhecer o equipamento e se apaixonar por essa história de amor rodeada pela vontade de preservar a arte e a cultura do povo nordestino.

Indicação sonora: trecho de prévia do episódio seguinte

Em 32:03

LAURA AGUIAR

Esse é o PodObservar, o podcast do Observatório de Cultura e Economia Criativa da Região do Vale do Rio Real, uma realização do Coletivo Cultural Tobias, Sou Eu. Arte, cultura e pesquisa sendo feitas por quem conhece e ama Sergipe. Tobias, Sou Eu!

Indicação sonora: vinheta de finalização

O Observatório de Cultura e Economia Criativa da Região do Vale do Rio Real é uma realização do Coletivo Cultural Tobias, Sou Eu, e esta pesquisa foi realizada através da Política Nacional Aldir Blanc. Por isso, é também uma realização da FUNCAP, do Governo do Estado de Sergipe, do Ministério da Cultura e do Governo Federal.

Indicação sonora: música termina

Transcrição revisada em 18/09/2026.

Neste episódio

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