
#03 Episódio - Conheça o Museu Borda da Mata
Episódio sobre o Centro Cultural e Museu Borda da Mata, no povoado Borda da Mata, em Tobias Barreto, construído por Neide e Oviêdo Abreu. A conversa percorre a trajetória do casal, o acervo da Garagem Cultural e a relação entre preservação da memória nordestina, turismo cultural e economia solidária.
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Transcrição
Em 00:00
Indicação sonora: som ambiente de deslocamento
LAURA AGUIARAPRESENTADORA
Se você estiver vindo a Tobias Barreto e vier por Riachão dos Dantas, vai passar pela estrada dos lugarejos Tanque Grande, pelo povoado Saquinho, pelo lugarejo Ferro Velho e vai chegar a Borda da Mata.
Um povoado lindo, todo verdinho, que te convida a ficar.
Atravessando devagar os quebra-molas, você vai poder ver uma placa com uma seta para a esquerda indicando: Centro Cultural e Museu Borda da Mata.
E você não pode perder a chance de dar uma passadinha por lá.
Em 00:38
Indicação sonora: vinheta de abertura do PodObservar
LAURA AGUIAR
Oi, oi, gente! Eu me chamo Laura Aguiar e esse é o PodObservar, o podcast do Observatório de Cultura e Economia Criativa da Região do Vale do Rio Real, uma iniciativa do Coletivo Cultural Tobias, Sou Eu! E hoje a gente vai levar vocês para conhecer um pouquinho do que é a experiência sensorial maravilhosa de conhecer a Borda da Mata, centro ecoturístico e cultural do Vale do Rio Real. Vocês vão se encantar com o casal Neide e Oviêdo Abreu, que se conheceram em Aracaju e vieram construir sua família e sua história na terra em que Neide nasceu.
Indicação sonora: vinheta de transição
Em 01:18
LAURA AGUIAR
O Centro Cultural e Museu Borda da Mata é uma iniciativa conjunta. Oviêdo e Neide se conheceram em Aracaju, no bairro América, e foi lá que o aracajuano se apaixonou pela tobiense. Oviêdo é poeta e cordelista e observava, da capital, com seus olhos atentos, o avanço dessa tal modernidade, que parecia usar e descartar as inovações tecnológicas enquanto a arte e a cultura iam se perdendo nesse conjunto. Para ele, o interior de Sergipe parecia uma opção de luta contra o tempo: conservar a história para que os mais velhos lembrassem de si e para que os mais novos descobrissem todos aqueles mistérios que os mais velhos aprenderam.
Em 02:15
LAURA AGUIAR
Entrar no museu Garagem Cultural é assim. Através de discos, CDs, livros e memórias, vamos sendo transportados no tempo. A gente se diverte com a geladeira da “Cultura em Conserva”, onde livros e discos preciosos são guardados pelo tempo.
Chegamos aos varais de cordel e encontramos Oviêdo recitando suas poesias, muitas delas preocupadas com questões sociais e com as transformações da cultura moderna.
Adentrar a Garagem Cultural também é adentrar a vida e o lar dos Abreus.
O mesmo lugar onde o casal constrói um museu contemporâneo da cultura artística nordestina também é a casa de uma família que divide o trabalho de fazedores culturais com as responsabilidades cotidianas de pais e mães de família.
Em 03:40
GALILEU SANTANACOORDENADOR DE PESQUISA
Um equipamento cultural como o criado pela família Abreu chama a atenção em diferentes níveis.
Existe uma sofisticação nos processos criativos de cada local, com uma divisão surpreendente dentro, por exemplo, da própria Garagem Cultural, das obras e das histórias que preenchem o museu.
Você vai ser apresentado aos varais de cordel, às estantes de livros, à máquina de datilografia, ao toca-discos, à “Cultura em Conserva”...
E esse ainda é o mesmo espaço onde é servida a mesa para a refeição dos visitantes e onde toca uma música ambiente fenomenal.
Então, existe um dinamismo construído com muito tempo e que passa pelo olhar artístico de quem sabe, se interessa e ama aquilo que está fazendo.
Em 04:20
OVIÊDO ABREUGESTOR DO CENTRO CULTURAL E MUSEU BORDA DA MATA
O nosso objetivo sempre foi esse de preservar.
Tem muita coisa que, às vezes, para determinada pessoa, já não tem mais valor. Mas aquilo tem uma história.
Você pega uma peça, um objeto antigo, uma coisa que pertenceu a alguém, e aquilo traz uma memória.
Então a gente vai juntando essas coisas, guardando e procurando dar um sentido para elas aqui dentro. São coisas pequenas, mas cada uma tem a sua história.
Em 05:05
LHUCAS SANTOSAGENTE DE CAMPO
Um arsenal de pequenas coisas.
Indicação sonora: breve pausa
Esse ponto de vista museológico é supercontemporâneo: a colheita das miudezas. Encontrar, nos detalhes dos itens que já não possuem mais valor utilitário no presente, a memória da vida das pessoas que passaram. Está também na simbologia da doação de cada obra que compõe o museu.
Em 05:50
GALILEU SANTANA
E daí existe outro lado. É um equipamento cultural integrado ao lar da família Abreu porque partiu de uma crença de mais de 15 anos de que esse era o devir deles nessa terra: criar um centro cultural.
NEIDE ABREUGESTORA DO CENTRO CULTURAL E MUSEU BORDA DA MATA
A gente sempre teve esse sonho, essa vontade. Foi uma coisa que fomos construindo aos poucos, dentro das nossas possibilidades, e que continua sendo construída.
Em 06:35
LUIZANALISTA DE DADOS
Não é nada estranha essa prática hoje em dia. Se a gente parar para olhar os novos modelos de estadia durante viagens, a prática da vivência compartilhada com o anfitrião é muito comum e natural em localidades mais interioranas ao redor do mundo. Um grande exemplo são os Airbnbs, onde você pode alugar um quarto dentro de uma residência para passar uma noite ou mais. Ou os hostels, muito utilizados por viajantes e que também trabalham com estadias compartilhadas.
Em 07:55
OVIÊDO ABREU
A gente recebe as pessoas aqui e procura fazer com que elas fiquem à vontade. Porque é a nossa casa também. Então quem chega entra nesse ambiente, conhece o espaço, conversa com a gente e acaba convivendo um pouco com a nossa rotina. A intenção é justamente receber bem, mostrar o que temos e fazer com que vocês se sintam mais à vontade.
LUIZ
Então, sim: a gente divide inclusive estruturas que fazem parte da própria casa. E, se você passar um dia por lá, pode ter um quarto para dormir. O mais importante é que nada disso prejudica a experiência do visitante. Muito pelo contrário.
Indicação sonora: risos
Talvez o incômodo maior seja para os próprios moradores da casa.
Em 09:10
FABRÍCIO GREGÓRIOAGENTE DE CAMPO
O chalé a que Oviêdo se refere, nosso ator-chave, já está com o seu alicerce construído. A casa de taipa, que era um sonho dos fundadores desde o início do museu, já foi erguida, teve o seu acervo montado e está pronta para visitação.
LAURA AGUIAR
Ao entrar pelo lado exterior da casa, seguindo as diferentes árvores da flora brasileira, todas com uma plaquinha indicando o nome, vamos encontrando brinquedos feitos de madeira, pneus de borracha e diferentes materiais recicláveis. Avistamos uma coletânea de plantas muito bem cuidadas e chegamos à Casa de Taipa Cineasta Dida Araújo, o Museu da Cultura do Campo. É um espaço que preserva a história nordestina em suas características simples e sertanejas e homenageia Dida Araújo, um grande divulgador cultural sergipano, com importante atuação no Vale do Rio Real.
Em 10:50
GALILEU SANTANA
É interessante como os ambientes são construídos de maneira integrada. Com esse segundo museu, construído e finalizado recentemente, nós já tínhamos também um espaço de lazer e descanso. Tem redes para deitar, bancos, cadeiras e a presença contínua da seleção musical feita por Oviêdo, tocada nas caixinhas de som.
LHUCAS SANTOS
Para o turismo, essa conexão é imprescindível. Comungar o lazer cultural com a criação de lugares de descanso aumenta o potencial de atração do público. Se, em um primeiro momento, existia um perfil mais atlético, pensando nas trilhas e no ciclismo, agora temos também um espaço familiar. O descanso atrai famílias e jovens que procuram conforto e um lazer educativo, muito apropriado também para a infância.
Em 12:05
FABRÍCIO GREGÓRIO
Ao levantarmos os dados do público consumidor, verificamos que a maioria das visitas foi composta por adultos que adicionaram o Centro Cultural ao percurso das suas práticas de exercício físico. E o período que analisamos foi bastante impactante para o equipamento cultural. Foram apenas 11 visitantes durante os cinco meses analisados. Assim como aconteceu no Recanto da Serra, os meses do levantamento de dados estão situados em um período de baixa visitação. Mas o impacto disso para o Borda da Mata é bem maior.
Em 13:05
LAURA AGUIAR
Diferentemente do Recanto da Serra, o Centro Cultural Borda da Mata ainda não conseguiu alcançar um público visitante com constância fixa. Isso reflete a falta de visibilidade e o desconhecimento sobre a existência e o funcionamento do local. Ainda assim, quando analisamos o período entre julho e dezembro e observamos o funcionamento econômico do espaço, a baixa visitação não significou fragilização ou desestruturação. Pelo contrário. Foi um período de permanente melhoria do serviço e de aprimoramento da estrutura física, com reformas e adaptações que elevaram a estrutura do Centro Cultural.
Em 14:20
GALILEU SANTANA
É difícil dizer qual dos dois equipamentos culturais mudou mais desde o início da nossa pesquisa. Mas acredito que as transformações do Borda da Mata tenham sido mais significativas. Quando chegamos pela primeira vez, a casa de taipa estava na fase final. Agora, não apenas o museu está pronto como boa parte da estrutura de um primeiro chalé já começou a ser erguida. Todo o terreno dos fundos também se abriu como uma área verde de observação da natureza, com a flora típica preservada. O ambiente verde vai se conjugando com o prazer da visitação. E vejo isso também como um reflexo da experiência do Recanto da Serra.
Em 15:15
OVIÊDO ABREU
Não demorou muito e eu visitei o Recanto. Conheci Pedro Menezes, conheci o trabalho que ele vinha desenvolvendo e aquilo foi importante. Você vê uma pessoa próxima, na mesma região, fazendo uma coisa, construindo um espaço e conseguindo desenvolver aquela ideia. Isso acaba servindo de referência.
LAURA AGUIAR
Era 2015. Cinco anos depois da mudança da família Abreu e sete anos depois da abertura do Recanto da Serra.
OVIÊDO ABREU
A partir daí a gente também foi conversando, trocando ideias. Uma experiência vai ajudando a outra.
NEIDE ABREU
E foi importante para a gente ver que era possível fazer também.
Em 16:30
LUIZ
Esse é um ponto-chave da nossa pesquisa. Ele comprova o impacto, no longo prazo, de iniciativas cruzadas que se tornam referência e ponto de apoio umas para as outras. O início dos projetos de um fazedor cultural acontece em um momento em que ainda estamos tateando aquilo que podemos fazer, ao mesmo tempo em que precisamos dividir o nosso tempo com o trabalho e com a nossa própria vida. Quando esse início é iluminado por outra luz que vem do mesmo território — de outro agente que, anos atrás, estava naquela mesma labuta — tudo se torna um pouco mais tranquilo. Menos desafiador e menos desesperador. Porque, com a experiência compartilhada, a gente descobre que é possível chegar lá. Só precisa de tempo.
Em 18:00
GALILEU SANTANA
Desde o projeto de pesquisa, busquei colocar o Centro Cultural e Museu Borda da Mata em perspectiva com o Recanto da Serra para descobrir como ambos poderiam fornecer elementos de referência para outros sonhadores, artistas e fazedores culturais. O mais bonito nisso tudo é que essa intenção cultural cria laços de afetividade. A cidade do interior já é uma grande comunidade. Estamos falando de um Recanto da Serra com muitos anos de existência e de uma relação entre esses agentes que também já existe há mais de uma década. Esse potencial relacional vai servindo de exemplo e de experiência de laboratório. Assim, as boas práticas em economia solidária, preservação da memória, preservação do patrimônio e valorização da natureza e do meio ambiente vão sendo replicadas. Essa é uma grande experiência de longo prazo que conseguimos analisar e que ajuda a explicar a permanência desses equipamentos mesmo sem grande visibilidade ou parcerias público-privadas institucionalizadas.
Em 19:45
LAURA AGUIAR
Tobias Barreto, como centro da Região do Vale do Rio Real, defende sua posição por aglutinar experiências em diferentes esferas. Além de sua importância estratégica para a Região Centro-Sul de Sergipe, seu histórico sociocultural reuniu em seu território práticas diversas que merecem atenção. Quando olhamos para o turismo e percebemos um sistema capaz inclusive de levar visitantes internacionais ao território tobiense, começamos a redimensionar o papel da cidade para toda a região.
LHUCAS SANTOS
O que Laura está falando é verdade. Não é coincidência um mesmo lugar aglutinar diferentes centralidades sob o seu eixo. Isso pode acontecer através de um processo induzido, com políticas e ações específicas. Mas também existe um processo orgânico, sócio-histórico, que envolve políticas e governança, mas é fortemente marcado pelas movimentações sociais entre as localidades. E isso só consegue ser percebido no longo prazo. É o caso da Região do Vale do Rio Real e de Tobias Barreto.
Em 21:15
Indicação sonora: música de transição
FABRÍCIO GREGÓRIO
Ao voltarmos à estrada que leva ao Recanto da Serra, passamos por uma construção que chama a atenção pela arquitetura e que carrega, no alto do teto circular, a bandeira da Mensagem de Silo. Estamos falando da Casa de Silo, equipamento ecumênico e cultural que teve seu terreno doado pelo Recanto da Serra. Ali ocorrem atividades ligadas ao Centro Cultural Filhos de Obaluaiê e à Mensagem de Silo. O espaço atrai brasileiros e estrangeiros interessados nessa filosofia e que visitam Tobias Barreto por causa dessas atividades.
Em 22:20
LAURA AGUIAR
É essa organicidade do processo cultural que acontece hoje em Tobias Barreto que chama a atenção para Sergipe e interessa a toda a Região do Vale, inclusive aos municípios localizados na Bahia. Em uma das visitas de mensageiros de Silo a Tobias Barreto, chegaram pessoas de diferentes países, entre eles Itália, Bolívia, Peru e Argentina, além de brasileiros de outros estados. Vieram a Tobias Barreto, ao povoado Jacaré, conheceram o Recanto da Serra, o Memorial Tobias Barreto de Menezes e a Feira da Coruja e ainda visitaram Poço Verde para uma noite cultural. Estamos falando do estabelecimento de um sistema de turismo funcional na Região do Vale do Rio Real.
Em 23:35
OVIÊDO ABREU
A gente ainda tem muita coisa para fazer. O espaço vai sendo construído dentro da nossa possibilidade. Tem coisa que a gente já começou, tem coisa que ainda precisa melhorar. O piso mesmo ainda não está do jeito que queremos. Mas vamos fazendo um pouco de cada vez.
GALILEU SANTANA
Então, é um lugar pronto para ser ativado. A casa de taipa está pronta e está linda. É belíssimo ver as ferramentas de ferro que os nossos mais velhos utilizavam no trabalho com a lavoura, ver o ferro de passar antigo, os retratos na parede, o altar sertanejo dedicado a Nossa Senhora... São esses detalhes que vão acolhendo a gente e fazendo com que a gente queira ficar. E ainda tem a comida, né?
Indicação sonora: risos
Em 24:40
LAURA AGUIAR
Ai, a culinária, gente!
Indicação sonora: risos
É maravilhosa. Eu vim de Minas Gerais e, se tem uma coisa pela qual a minha terra é conhecida, é pela cachaça e pela culinária. Agora, conhecendo o interior de Sergipe e podendo conhecer um pouquinho dos pratos e do tempero regional sergipano, é uma experiência encantadora. Comida boa, ao lado de um bom cafezinho e de uma prosa gostosa com pessoas tão queridas, realmente não tem preço. Então visitem o Museu Borda da Mata, gente. É sério. Lá é muito gostoso. É uma experiência cultural e sensorial riquíssima.
Em 25:50
LUIZ
E o mais legal dessa experiência do Borda da Mata é que existe um potencial enorme ainda não explorado. Quando pensamos no desejo de realizar eventos temáticos, com música e dança, o horizonte de possibilidades na produção cultural é muito amplo. E eles também já estão se formalizando.
FABRÍCIO GREGÓRIO
Assim como o Recanto da Serra, o Centro Cultural e Museu Borda da Mata está em processo de criação de sua associação, tornando-se uma organização social sem fins lucrativos. Isso abre para o equipamento um leque maior de interação e de possíveis parcerias com o poder público e com entes privados.
Em 26:45
OVIÊDO ABREU
A gente pensa em fazer eventos aqui. Fazer uma coisa cultural, trazer música, fazer encontro, reunir pessoas.
NEIDE ABREU
Um forró, um baile... Coisas que façam as pessoas virem, participarem e aproveitarem o espaço.
LAURA AGUIAR
O casal dirigente, pai e mãe de família, donos de casa, gestores de equipamento cultural, museu e restaurante, divide ainda a função de produtor cultural. São os esforços para ver florir um sonho tão bonito de sonhar.
Em 27:35
OVIÊDO ABREU
A gente precisa mudar um pouco esse pensamento de que cultura é uma coisa que não tem importância. Quando acontece um evento aqui, não é só a gente que ganha. Compra-se alguma coisa de uma pessoa, contrata-se outra, alguém prepara a comida, outra pessoa trabalha. Todo mundo ganha um pouco daquele evento que acontece aqui.
Em 28:20
GALILEU SANTANA
Então, a gente vê uma escassez de público local, muito por falta de reconhecimento, divulgação adequada e estímulo. Ao mesmo tempo, existe uma rotina de visitação de um público específico, muitas vezes formado também por artistas e pessoas interessadas em cultura. Mas, se abrirmos os olhos enquanto política pública e pensarmos: esse equipamento já está erguido, a finalidade dele é social e já existe aqui uma série de atividades de lazer, educação e práticas na natureza... Um projeto de ativação local desse equipamento, realizado pelos gestores locais com incentivo público, é uma das formas de impulsionamento concreto da economia criativa de toda a Região do Vale. O alicerce já está pronto.
Em 29:15
OVIÊDO ABREU
Quando uma atividade acontece e envolve outras pessoas, todo mundo sai ganhando. Não fica uma coisa concentrada em uma única pessoa. O dinheiro circula, as pessoas trabalham, produzem, participam.
LAURA AGUIAR
Economia solidária na ponta, simples de compreender e acontecendo de maneira orgânica. Um olhar sociocultural desvinculado da intenção exclusivamente comercial, ainda que a dimensão econômica também tenha seu devido valor para o funcionamento do local.
Em 29:50
FABRÍCIO GREGÓRIO
Para visitar e conhecer o Centro Cultural e Museu Borda da Mata, é necessário realizar um agendamento diretamente com o equipamento. A taxa de visitação informada no episódio é de 20 reais por pessoa. A refeição completa, servida à mesa, sem necessidade de pesar e com possibilidade de se servir à vontade, não ultrapassa 25 reais por pessoa. A ideia é que a visita seja feita com mais pessoas, mas tudo pode ser conversado previamente com os responsáveis pelo espaço.
Em 30:15
LHUCAS SANTOS
A autossustentação de um equipamento cultural, seja ele turístico ou de lazer, é sempre um ponto importante de discussão. À medida que um equipamento vai se sofisticando na entrega do seu produto, esse produto normalmente também se encarece. Mas, no caso dos equipamentos culturais estudados aqui, aquilo que eles oferecem e desejam expandir exige relativamente pouco para sua rotatividade. O apoio sazonal para a manutenção da estrutura e a conservação dos acervos pode fazer uma grande diferença.
Em 30:45
OVIÊDO ABREU
A gente vive num momento em que o capitalismo tomou conta de muita coisa. E a cultura acaba ficando para trás. Por isso é importante preservar essas histórias, preservar o cordel, os objetos, aquilo que pertence ao nosso povo.
GALILEU SANTANA
É lindo esse lugar do cordel na cultura popular sergipana e nordestina. Essa forma de encontrar na oralidade, a partir dos acontecimentos cotidianos e das cenas do dia a dia, uma maneira de refletir sobre coisas que são caras à sociedade. Essa também é a função do artista. Ele vai enxergando os dramas que permeiam a humanidade e se desdobra para encontrar um jeito novo e diferente de contar aquilo que sempre esteve aí.
Em 31:05
NEIDE ABREU
A gente vai continuar fazendo. É um sonho nosso e é uma coisa que queremos deixar. A gente sabe que ainda tem muito trabalho pela frente, mas vai fazendo aos poucos.
LAURA AGUIAR
Quando a gente trabalha com cultura e arte, é sempre uma sensação difícil no começo. Parece que estamos nadando contra uma correnteza. Os sonhos parecem somente sonhos e parecem tão distantes. Mas basta olharmos para o lado. Quando sentimos a força e a perseverança de quem sonha, de quem luta e de quem constrói, a gente vai se sentindo mais gente também. E percebemos que, na verdade, existe outro rio correndo por debaixo, cheio de gente com vontade de mudança.
Em 31:20
LHUCAS SANTOS
Eu não tenho dúvida de que, agora, com o espaço em frente à casa de taipa avançando, esses eventos culturais com música e dança vão acontecer cada vez mais. A intenção dos gestores aparece em toda a história do equipamento. É questão de tempo para encontrarem o caminho. O que precisa acontecer é esse empurrão coletivo, esse impulso, para que a sociedade não perca mais tempo diante de toda a destruição do patrimônio cultural material e imaterial que vem acontecendo.
Em 31:30
OVIÊDO ABREU
O que a gente quer é continuar. Continuar preservando, continuar recebendo as pessoas e mostrando a nossa cultura. Porque isso aqui não é só para nós. É para quem vier depois também.
LAURA AGUIAR
Coletivo Cultural Tobias, Sou Eu! Arte, cultura e transformação da sociedade.
Indicação sonora: música de encerramento
Em 31:35
LAURA AGUIAR
Então é isso, pessoal! Esse foi o nosso terceiro episódio do PodObservar, o podcast do Observatório de Cultura e Economia Criativa da Região do Vale do Rio Real. E, no nosso próximo episódio, iremos mais a fundo nos dados coletados nessa que foi a primeira etapa da nossa pesquisa. Iremos dissecar as possibilidades em equipamento turístico-cultural no Vale do Rio Real e falar um pouquinho — mas é um pouquinho só, viu? — das belezas da Serra dos Macacos. Conto com vocês lá!
Indicação sonora: vinheta de finalização
LAURA AGUIAR
O Observatório de Cultura e Economia Criativa da Região do Vale do Rio Real é uma realização do Coletivo Cultural Tobias, Sou Eu, e esta pesquisa foi realizada através da Política Nacional Aldir Blanc. Por isso, é também uma realização da FUNCAP, do Governo do Estado de Sergipe, do Ministério da Cultura e do Governo Federal.
Indicação sonora: música termina
Transcrição revisada em 18/09/2026.